há em tudo um estado de florescer
até que o outono desfaça
- - - - - - línguas fumaça olhos de amêndoas doces
em tudo que nãocanto
certo
assombro
e as seriemas insistem em seus berros
de barro sobre
telhados
- - - - - - tudo podia ser não foi porque não sei
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -quem sabe?
a lua faz a noite padecer de claridades nuas
quintais cinzentos onde moram cães
sou feliz - colho goiabas gigantes
no muro regado à musgo e trilha
de caracóis
- - - - - - bichos de fogo incandescentes caminham
- - - - - - sobre
- - - - - - meus olhos
o mundo podia se chamar hospício lunar
cemitério de naves espaciais
onde só eu
não embarquei
- - - - - -objetos metálicos eternamente em chamas
nesse planeta supostamente azul
aquário
onde o destino de tudo parece ser vermelho
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -arder